Entrevista: hacker do bem explica mercado brasileiro de ameaças digitais
Como qualquer outro adolescente interessado em informática, Rodrigo Rubira Branco é um que aprendeu sozinho a usar o computador, motivado por programas usados no seu colégio primário.
O destino de Rubira, porém, passa longe dos jovens usuários que aplicam ferramentas crackers encontradas na internet em pequenos golpes online por diversão.
O grande interesse por segurança, somado ao autoproclamado “apoio constante a atitudes lícitas”, fizeram de Rubira um expert em ameaças digitais ou, como gosta de definir, um hacker do bem.
Atualmente empregado no setor de desenvolvimento de uma grande multinacional de tecnologia, o hacker de 22 anos foi escalado como o primeiro brasileiro a proferir uma plestra na DefCon, feira de hacking que aconteceu no começo de agosto em Las Vegas.
Nesta entrevista, Rubira afirma que a alta incidência de ataques no Brasil vem tanto da impunidade como da visão romântica da sociedade e traça caminhos para hackers brasileiros além dos golpes virtuais.
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É possível viver da atividade hacker no Brasil?
Quando se entende que a atividade hacker nada mais é do que profundo conhecimento de computadores e gosto por desafios e novidades, percebe-se que sim.
Quais as principais áreas de atuação de um hacker “profissional” hoje no Brasil?
Muitos hackers no Brasil têm trabalhos como analistas de segurança e desenvolvedores.
Da sua experiência na área, é possível dizer que a repreensão por órgãos públicos, como a Polícia Federal, ajuda a desencorajar a formação de novos crackers?
Sem duvida. Com a impunidade o número de criminosos acaba crescendo e muito. Se diversas medidas tornarem-se públicas, mostrando-se para todos os riscos de se cometer crimes (via computadores ou não) as pessoas pensariam mais antes de realizarem determinadas ações.
Também haveria maior controle e menos aceitação por parte da população. Muita gente acha bonito o que esses crackers fazem quando envolve apenas pichações de sites, por exemplo.
É possível viver da atividade cracker no Brasil?
Viver de crimes é possível em qualquer lugar no mundo. Vai da índole da pessoa, da ética que esta possui. O Brasil tem 180 milhões de habitantes, sem dúvida, no meio destes existem os bons e os maus.
Os chamados “script kiddies” são versões menos perigosas do cracker ou apenas um estágio anterior a ataques profissionais?
Diria que versões menos perigosas e até mais irritantes. Muitas vezes causam prejuízos que nem sequer conseguem ter noção, pelo simples fato de quererem fama ou acharem que têm algum poder.
O que faz do Brasil um país que carrega a fama de celeiro de ataques digitais no mundo?
Sem dúvida, a impunidade. Mas um fator fundamental é a nossa cultura: não somos um país envolvido em grandes guerras durante a história, portanto não damos tanta importância à privacidade de nossas informações, confiamos muito mais nas pessoas e temos uma desigualdade cultural extremamente alta (o que torna as pessoas mais vulneráveis a ações de criminosos digitais).
Há tolerância das empresas atuais para que vejam hackers como possíveis bons profissionais de segurança?
Na verdade, ainda existe muito desentendimento por parte das empresas. O fato das pessoas insistirem em usar o termo hacker ético como o profissional de segurança e hacker como aquele que invade acaba dificultando muito as coisas para quem não é da área entender.
As empresas ficam em dúvida quanto ao perfil do profissional, e isso sempre acaba exigindo um pouco de explicação na hora da contratação.
Quais são suas responsabilidades e no que a atividade hacker pode ser benéfica para estes empregos?
Em geral, atuam descobrindo falhas em sistemas de clientes, demonstrando que as vulnerabilidades em um determinado ambiente realmente existem, ou detectando possíveis invasores.
Por conhecer as técnicas utilizadas de ataques e como desempenhá-las, este profissional tem maior visão no momento de auditar um sistema quanto a seus pontos críticos. Torna-se também mais fácil fornecer um relatório fortemente embasado a um cliente, não apenas teorizando que determina versão de um produto X é vulnerável porque um bug foi publicado.
Quais outras funções pode um hacker exercer além da segurança de sistemas? E a maneira como um hacker pensa e conhece o assunto realmente conseguem antever ataques de outros crackers?
Um hacker pode ser um excelente programador ou até mesmo um administrador de sistemas. Quaisquer funções em tecnologia da informação que exigem profundo conhecimento de sistemas são interessantes para os hackers.
Importante dizer que muitos hackers nem sequer trabalham na área de informática. São médicos, biólogos, químicos e matemáticos que tiveram algum tipo de necessidade tecnológica e acabam desenvolvendo software para si próprios em seus tempos livres.
1 Comentário
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Por Cleuby
, 22 de setembro de 2006 @ 10:34
Abraços Wesley.
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