Egito confirma pena de quatro anos para blogueiro que insultou o Islã
Fonte: UOL Tecnologia
Um tribunal egípcio de Alexandria
(norte do país) confirmou hoje a pena de quatro anos de prisão do
blogueiro egípcio Abdel Karim Suleiman, conhecido como "Karim", por
insultar o Islã e o presidente Hosni Mubarak, que sofre pressão dos
principais partidos opositores contra a aprovação de emendas
constitucionais.
Em declaração à agência EFE, a advogada de
Karim, Rawda Ahmad Said, disse que o tribunal confirmou a pena
estabelecida em primeira instância no dia 22 de fevereiro e acrescentou
uma multa de 2 mil libras egípcias (cerca de R$ 730).
A advogada afirmou que pensa em apelar da segunda sentença nos próximos dias, e disse temer o resultado final.
"É uma sentença estranha e, para nós, imprevista", disse a advogada.
A
condenação confirmada pelo tribunal foi referente a dois crimes: três
anos de prisão por insultar o Islã e um por criticar o presidente
egípcio, Hosni Mubarak.
Em seu blog, chamado
"karam903.blogspot.com" (em árabe mas com alguns artigos em inglês) e
que ainda pode ser visitado, o blogueiro crítica as instituições
egípcias e o Islã.
A confirmação da pena de Karim ocorre num
momento de grande pressão política contra o presidente egípcio. Os
principais partidos opositores anunciaram hoje que rejeitam todas as
reformas constitucionais propostas por Mubarak, e asseguraram que
adotarão medidas contra a aprovação das emendas.
Os grupos de
oposição parlamentar, entre eles os Irmãos Muçulmanos, o partido
egípcio mais antigo "Wafd" e os esquerdistas Tagamu e Al Karama, além
de parlamentares independentes, anunciaram em entrevista coletiva a
formação de uma aliança para fazer frente às emendas propostas.
Mubarak
ordenou em dezembro a emenda de 34 artigos da Constituição com o
objetivo declarado de ampliar os poderes do Parlamento, mas os críticos
o acusam de buscar perpetuar-se no poder.
A maioria dos
opositores decidiu boicotar as sessões parlamentares dos dias 19 e 20
de março, quando serão debatidas e votadas as emendas antes do
plebiscito popular, no início de abril.
"As reformas propostas
refletem a vontade do governador como indivíduo e não a do povo.
Transformarão o país em um estado policial e acabarão com todas as
liberdades pessoais", afirmou o membro do Al Karama, Saad Abud.
A
declaração de Abud se referiu a nova lei antiterrorista que
substituiria a atual lei de emergência, vigente no país desde 1981, e
que segundo a oposição restringirá ainda mais a liberdade e permitirá
mais prisões sem julgamentos.
Entre as emendas criticadas está a
realização de eleições sem supervisão judicial, o que segundo o membro
do Tagamu Mohammed Shaaban "permitirá ao partido governante falsificar
os resultados de acordo com seus próprios interesses".
Os
opositores afirmaram também que estudam o boicote ao plebiscito e
asseguraram que pedirão ao povo que participe de "manifestações
maciças" nos próximos dias para anunciar a rejeição das emendas
propostas.
O porta-voz dos Irmãos Muçulmanos, Saad El Katattan,
afirmou que o partido foi alvo de uma crescente campanha lançada pelo
corpo de segurança, porque rejeitou "obedecer ao (governante) Partido
Nacional Democrático".
Para os Irmãos Muçulmanos, que
representam a maior força opositora no país (com um quinto das
cadeiras), a principal emenda rejeitada é a proibição de atividades
políticas baseadas na religião.
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